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sexta-feira, 25 de junho de 2010

Ser sugestionável.

Percebo um grande conflito em um assunto em que não existe nem certo e nem errado. É um passeio entre ser coerente e consistente, e ser flexível e aberto ao aprendizado.

Existe um lugar de meio-termo, sempre há. Como também existem os dois lugares extremos, sempre há também. E vou falar do extremo do ser flexível, o ser "sugestionável".

Um indivíduo sugestionável indica um comportamento passivo, e se esconde atrás de belos discursos: "eu abro mão por você" ou "faço isso por ser cristão". Quando se tem esses discursos, é sempre difícil questioná-los, a não ser quando se confronta os resultados desses comportamentos. O resultado é nao encontrar constantes, a não ser a constante de "abrir mão".

A flexibilidade é um requisito para a saúde. Saber relevar, saber ouvir, saber calar, aprender em todos os momentos. Já a sugestionabilidade é um indício de vazio, de falta de personalidade construída.

Poderia levantar algumas possibilidades, mas a mais forte, me parece a de homens e mulheres com personalidades de menino. Meninos são sugestionáveis, e o porque disso é claro: não houve tempo suficiente para experimentar e colher os resultados a ponto de ter uma linha de conduta bem construída, estão testando o que chega a eles por qualquer lado.

Constância é importante, sonhos que permanecem, atitudes que definem quem você é. Contradição e volatilidade não são boas estruturas para se construir coisas grandes.

Lembro do musiquinha "não, não construa sua casa na areia...".

E o sugestionável tem isso, a areia sob os pés.

Sempre gosto de chegar numa proposta de solução, e pra esse assunto é se expor aos resultados de permanecer naquilo que uma vez você disse, pensou, fez. Em pouco tempo, vão saber quem você é, o que você pode dar e, principalmente, o que você pode receber.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O ego-distônico.

Embora seja um conceito muito (mal) utilizado pelo senso comum e objeto de divergências entre as ciências, me inclino a definir personalidade como um conjunto de caracterísiticas comportamentais, públicos e privados, rígidas e decorrentes do processo biopsicossocial de aprendizado. Os transtornos tem essas características catalogadas no manuais médicos.

Somos educados pelos pais, vamos à escola, igreja e festinhas com os amigos. Fazemos faculdade, pós, mestrado, etc. Começamos a trabalhar e evoluímos profissionalmente. Conhecemos pessoas interessantes e admiráveis. Lemos livros. Vemos filmes. E aí começamos a descobrir que podemos fazer diferente, e até fazer diferença. Ser relevante.

Então seu ego grita, te chamando de volta a ser quem você "é", a distância ficou um pouco grande. Sua personalidade está lá, pesada como uma bola de ferro acorrentada aos pés. É perturbador - minha personalidade aponta para fazer de uma forma, mas tenho feito como se fosse outra persona. E como eu tenho feito tem me trazido benefícios, tenho tido ótimas respostas do ambiente. Pronto, sou um indivíduo ego-distônico. Meus comportamentos e ideias diferem do que eu sou,diferente do modo como aprendi a funcionar.

É um desconforto que vale a pena. Me arrisco a dizer que quem não sofreu com esse desconforto ficou destinado a uma, no mínimo, vida enfadonha. Para fazer diferença nossa mente deve ser renovada e nesse processo, o ego reage. O abismo não é tão grande. Transpô-lo não leva tanto tempo se comparado ao benefício que certamente virá. Acredite! Quase como a certeza matemática, o produto desse processo de renovação e ressignificação de personalidade é previsível: ser relevante.